Há mais de 50 anos o mar segue avançando e destruindo ruas e casas em Atafona. Além do “SOS Atafona”, o “Atafona não vai cair!”, foi criado mais um grupo, o “Luto por Atafona” em busca de apoio imediato para a trágica situação vivida no momento. O grupo com cerca de 60 pessoas realizou uma manifestação pacífica nesta terça-feira, 1ª de maio, Dia do Trabalhador, percorrendo ruas de Atafona, 2º Distrito de São João da Barra com objetivo de chamar a atenção das autoridades para uma solução.
A luta do rio Paraíba do Sul está sendo árdua, pois o mar segue avançando e destruindo diversas casas e comércios em Atafona.
Já existe um projeto do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) que, apresentado desde 2014, onde continua nas discussões burocráticas sobre licenciamento. Valor não há: apenas especulação. Autoridades já aventaram orçamentos que variam de R$ 150 a R$ 220 milhões, mas nenhuma cotação oficial foi feita.
Em 2017, a prefeita Carla Machado (PP), entrou na luta e vestiu a camisa do S.O.S. Atafona, além de criar um abaixo-assinado digital recolhendo assinaturas na praça do padroeiro e até mesmo pela internet. Carla Machado esteve em Brasília e entregou o projeto do INPH ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM).
A prefeitura de São João da Barra informou que a Defesa Civil já identificou um avanço do mar de mais de 6 metros entre março e abril em Atafona. Em 2016, a prefeitura decretou situação de emergência nas áreas afetadas pela erosão costeira, mas o decreto não foi reconhecido pelo governo do Estado. Como esse é um problema antigo, o órgão entendeu que não há emergência.
Em nota, a prefeitura destacou que além de apoiar e participar de movimentos em prol de ações em Atafona também tem buscado ajuda ao governo e órgãos ambientais para resolver o problema. Já foi investido 1 milhão de reais para execução de estudo de impacto ambiental que faz parte de um projeto de proteção e restauração da praia de Atafona. Após a realização desse estudo, o material será avaliado pelo Inea que vai ver a viabilidade da execução da obra.
De acordo com o jornal Folha da Manhã, o famoso “Bar do Santana”, localizado na Baixada de Atafona, à beira do Pontal, era mais um daqueles ‘points’ que caracterizam o vilarejo pesqueiro, famoso por sua cerveja gelada e um pastelzinho de primeira. Seu proprietário, José Santana, natural de Campos, é um homem de luta que foi para São João da Barra em 1989, já com proposta de trabalho no comércio. Barman experiente e garçom atencioso, aprendeu e se dedicou muito nos mais famosos bares e restaurantes da praia, até ter a oportunidade de gerenciar seu próprio negócio. Há dez anos, Santana alugou o antigo bar do Almir Largado, uma grande referência na comunidade. Durante esse tempo de gestão, muitos episódios aconteceram, inclusive visitas de personalidades. “Até jogador famoso já esteve no bar!”, conta Santana.
Ainda de acordo com o jornal, assim como o “Bar do Bambu”, outro boteco famoso, liderado pelo campista Neivaldo Paes Soares, que ocupou a antiga casa de barcos da família Aquino e fez seu lar por anos, até o mar levar, os dez anos do “Bar do Santana” somam alegria, prazer, cultura, arte e muitos questionamentos sobre a história do Pontal, que desde o último mês tem sofrido uma “nova fase de avanço”. Com a mudança climática e ressaca prevista no dia 24 de maio, o mar começou a atingir o bar do Seu Santana, que já se mostrava atento, porém confiante à situação.
Destruição
Segundo especialistas, o que acontece é um fenômeno de transgressão do mar, que nos últimos 35 anos avançou três metros a cada 12 meses. A cada ano o mar avança cerca de 3 metros.
Através de uma pesquisa, mais de 50 ruas e cerca de 500 casas já foram engolidas pelo mar. Em apenas um ano, a violência do mar sumiu com uma área do tamanho de três campos de futebol.
No início dos anos 70, magníficos casarões foram sendo construídos, sendo o primeiro, da Indústria de Bebidas do empresário Hugo Aquino, na rua Capitão Nelson Pereira e assim as águas do mar vieram invadindo trechos da praia mais próximos da foz do rio, destruindo tudo que estava a sua frente.
O Pontal é conhecido também pelo grande encontro do rio Paraíba do Sul com o mar que atualmente sofre com a falta d’água e vem perdendo força.
Primeira matéria publicada em jornal
O jornal ‘Voz de São João da Barra’ no dia 22 de agosto de 1974, trouxe a primeira matéria mostrando a fúria do mar que ameaçava casas do Pontal, em Atafona. Naquela época, como consta no jornal, a construção de um dique de pedras de 150 metros poderia resolver o problema dos pescadores do Pontal. Com o passar dos anos, um novo cenário vem sendo construído e casas estão sendo devoradas pelo mar avassalador.
O Pontal é conhecido também pelo grande encontro do rio Paraíba do Sul com o mar que atualmente sofre com a falta d’água e vem perdendo força.
Prédio de Julinho derrubado pelo mar
No dia 05 de abril de 2008, a maré conseguiu tombar a construção, conhecida como Prédio do Julinho, construído pelo empresário Júlio Ferreira da Silva em 1973, que era referência na praia. O edifício, de quatro andares, foi projetado para abrigar um hotel com 48 apartamentos.
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