A presidente da SOS Atafona, Sônia Ferreira, de 81 anos, foi transferida na noite de ontem, domingo, 26 de outubro de 2025, do Hospital Ferreira Machado (HFM), em Campos dos Goytacazes, para o Hospital São José do Avaí, em Itaperuna. Ela está internada desde o dia 16 deste mês depois de sofrer um Acidente Vascular Encefálico (AVE) hemorrágico durante um velório.
De acordo com o boletim divulgado anteriormente pelo HFM e confirmado para filha, Sônia segue em estado grave, sedada, entubada, e em coma no Centro de Terapia Intensiva (CTI).
Até o momento da transferência, a data para eventual cirurgia ainda não havia sido definida.
Sônia Ferreira é figura notória em Atafona, tendo presidido o movimento SOS Atafona — que busca chamar atenção para o avanço do mar e os impactos ambientais e sociais na região.
Para a comunidade local, a sua condição de saúde e transferência despertam preocupação e mobilização de apoio.
A família e a equipe médica acompanham a evolução clínica de Sônia e aguardam a definição de intervenções médicas adicionais. A transferência para Itaperuna indica a necessidade de cuidados mais especializados ou disponibilidade de leito adequado. A comunidade está mobilizada, e mensagens de apoio têm sido compartilhadas nas redes sociais.
Vida e trajetória
Sônia Ferreira é uma referência local no bairro de Praia de Atafona, em São João da Barra (RJ), atuando como presidente do movimento comunitário SOS Atafona.
Embora alguns detalhes de sua infância ou juventude não sejam amplamente divulgados, suas entrevistas contam que ela “é campista, mas já morou no Rio de Janeiro e sempre teve o desejo de viver em Atafona”.
Ao longo de mais de duas décadas residindo em Atafona, ela foi testemunha e agente dos impactos da erosão costeira — viu o mar se aproximar gradativamente até derrubar o muro de sua casa em março de 2019.
Atuação comunitária
Como presidente da SOS Atafona, Sônia mobiliza moradores locais para denunciar e chamar atenção para o avanço do mar, a erosão costeira e os efeitos socioambientais sofridos pela comunidade de Atafona.
Soninha documenta cuidadosamente os danos ambientais à região, participa de entrevistas com cientistas e veículos de imprensa, servindo de ponte entre pesquisadores e a comunidade.
Sua casa própria, que ficou vulnerável à invasão marítima, tornou-se um símbolo da resistência local: ao invés de se mudar rapidamente, Sônia construiu uma estrutura nos fundos para permanecer no terreno e continuar a luta local.
Desafios enfrentados
Sônia e a comunidade de Atafona vivem sob a ameaça constante de perda territorial: o oceano Atlântico vem avançando cerca de 2 a 3 metros por ano nessa região, destruindo quadras residenciais, equipamentos públicos e culturalmente importantes.
Ela própria declarou:
“No ano passado, o mar alcançou a minha rua e derrubou meu muro. … Assim posso ficar aqui no meu terreno mais alguns anos até o mar ocupar tudo de vez.”
Importância e legado
A trajetória de Sônia Ferreira representa mais do que uma luta pessoal — ela simboliza a resistência de comunidades costeiras frente a fenômenos ambientais que incluem a erosão, o assoreamento de rios e as mudanças climáticas. Seu papel ajuda a evidenciar que os “desastres ambientais lentos” também são urgentes e humanos. 
Para muitos moradores, ela é uma voz que expressa o vínculo afetivo com o território, a memória histórica e a necessidade de políticas de proteção e adaptação.
Situação atual
Recentemente, Sônia sofreu um AVC e teve de ser transferida para tratamento especializado. Apesar deste momento difícil, sua história de vida reforça o significado de continuidade e luta — tanto para ela quanto para a comunidade de Atafona.










