O município de São João da Barra (RJ) iniciou as atividades de campo do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), investimento de R$ 5,6 milhões que atende a uma condicionante do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional para que se possa pleitear recursos estaduais e federais para futuras obras de enfrentamento à erosão costeira em Atafona e no Açu. Para o início de outubro, já está definida a instalação de contêineres de atendimento à comunidade nos dois locais, que funcionarão como pontos de diálogo, esclarecimento de dúvidas e participação social da população afetada.
Com duração prevista de 18 meses, o estudo vai produzir a base técnica, científica e econômica necessária para compreender o comportamento do litoral e avaliar soluções definitivas para o avanço do mar. A equipe, formada por 29 especialistas definidos em licitação, reunirá dados ambientais e sociais, fará monitoramento contínuo e utilizará modelagens computacionais capazes de simular diferentes cenários para a costa.
Mais do que diagnosticar o problema, o EVTEA é uma etapa necessária para que São João da Barra tenha segurança técnica na elaboração de projetos e possa buscar recursos de grande porte junto aos governos estadual e federal. “É esse levantamento completo que vai nos dar segurança para buscar os recursos necessários e avançar em uma solução concreta”, afirma a prefeita Carla Caputi.
Entre as alternativas de engenharia que poderão ser avaliadas estão a recuperação de dunas e a alimentação artificial de praias (engordamento da faixa de areia), além de outras possibilidades. Qualquer intervenção definitiva, contudo, dependerá dos resultados consolidados pelo estudo.
O diagnóstico é considerado estratégico diante da dimensão do problema em Atafona, onde, desde a década de 1970, centenas de imóveis, ruas e áreas urbanas foram destruídos pelo avanço do Oceano Atlântico. O EVTEA busca reunir os elementos necessários para compreender as causas e a dinâmica da erosão e apontar caminhos tecnicamente, ambientalmente e economicamente viáveis para seu enfrentamento.
18 meses de estudo
A equipe multidisciplinar reúne especialistas em oceanografia, geologia, engenharia costeira, biologia, geografia, meio ambiente e planejamento territorial. O trabalho também prevê cooperação com universidades, centros de pesquisa e intercâmbio de referências internacionais em proteção costeira.
Para o CEO do Grupo Caruso, empresa responsável pela condução do estudo por meio da subsidiária SEACaruso Soluções Oceânicas & Energias Renováveis, Francisco Caruso Jr., a prioridade desta fase é construir uma base científica robusta antes de propor soluções. “O objetivo é compreender o comportamento real do litoral, reunir dados confiáveis e avaliar diferentes cenários para que as decisões futuras sejam tomadas com segurança técnica. O trabalho também prevê cooperação com universidades, centros de pesquisa e o intercâmbio de referências internacionais em proteção costeira.”
Bastidores técnicos
Paralelamente às atividades de campo e às ações de participação da comunidade, o planejamento técnico avança. No final de setembro, a diretora técnica da SEACaruso Soluções Oceânicas & Energias Renováveis, Clarissa Menin, apresentará o Plano de Trabalho do EVTEA à Câmara Técnica de Dinâmica Costeira, Erosão Marinha e Riscos Climáticos Associados, em reunião na Prefeitura de São João da Barra.
A apresentação detalhará a metodologia, as atividades que serão desenvolvidas em campo, as modelagens computacionais e o cronograma dos produtos previstos no estudo. Oceanógrafa e mestre em Engenharia de Costas e Portos, Clarissa integra a equipe responsável pela condução técnica do projeto.
A SEACaruso atua em projetos de dragagem, atividades portuárias, derrocamento de rochas, emissários submarinos, recuperação e engordamento de praias, monitoramentos ambientais marinhos, levantamentos hidrográficos, estudos oceanográficos e implantação de parques eólicos offshore. Sua equipe multidisciplinar reúne oceanógrafos, geólogos, biólogos e engenheiros ambientais com experiência em empreendimentos estratégicos de infraestrutura e logística.









