Obras foram retomadas há 20 dias e devem ser concluídas até o final de novembro

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Foto: Divulgação

As obras de construção do entreposto pesqueiro artesanal em Atafona (São João da Barra) foram retomadas há 20 dias e devem ficar prontas até o final do mês de novembro. Esta etapa do investimento tem o valor de R$ 1,7 milhão e é previsto em convênio firmado entre a prefeitura de São João da Barra e as empresas Ferroport (responsável pela operação de minério de ferro no Terminal 1) e Porto do Açu (responsável pelo desenvolvimento do porto e pelas operações do Terminal 2).

De acordo com o secretário municipal de Pesca, Joel Pinto Serra, o projeto original sofreu adaptações para se adequar à demanda local e às necessidades da classe de pesca. “Além da fábrica de gelo e da área para armazenamento da sua produção, o pescador terá ainda um píer exclusivo para atracação e uma área para venda de seus produtos”, explicou.

O entreposto pesqueiro vai possibilitar o fornecimento de produtos com maior qualidade, agregar valor ao pescado e diminuir os custos logísticos, melhorando as condições de comercialização. Conta com área total de 3,1 mil m², sendo cerca de 1 mil m² de área construída. O entreposto terá câmara frigorífica, fábrica de gelo, área para seleção de peixes, sala para serviços administrativos, vestiários, píer de atracação para carga e descarga, balcão frigorífico, áreas de estacionamento e estação de tratamento de efluentes (ETE).

O entreposto também contará com uma área para processamento de produtos da Cooperativa Arte Peixe. A instituição foi criada no ano de 2007 como alternativa de geração de trabalho e renda para mulheres e filhas de pescadores tendo como atividades a fabricação de linguiça, hambúrguer e nuggets de peixe e camarão, além de quibe, bolinho de peixe e camarão empanado. Na cooperativa, todos os lucros são repartidos de acordo com a produtividade entre as cooperativadas. A Arte Peixe tem participado de feiras em outros estados, e vem recebendo apoio de órgãos ligados ao setor, como a Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Fiperj).

Ainda de acordo com o secretário, o entreposto pesqueiro também vai inibir a ação de atravessadores. “Com a estocagem e posterior venda do pescado, o proprietário será beneficiado com uma política justa de preços, não sendo obrigado a entregar mais sua produção por preços bem aquém de mercado. Com isso ganha todo mundo”, destacou.

Com a finalização das obras e entrega do espaço pelas empresas, a prefeitura de São João da Barra receberá as instalações e fará a gestão do espaço e das atividades do entreposto pesqueiro.

Iniciativa aprovada – Tirando do mar o seu sustento desde os 17 anos, o pescador Roberto Alves Barreto, 42 anos vê com expectativa a implantação do novo entreposto artesanal. “A gente enfrenta muitas dificuldades para garantir o nosso pão de cada dia. Temos família e a situação fica complicada. Além do baixo preço pago pelo pescado, as despesas que assumimos para trabalhar também não são pequenas. Atualmente, o óleo diesel é dividido com os colegas e os donos da embarcação. Muitas vezes não temos sorte na semana quando a pesca é zero devido ao mau tempo e ventos fortes e voltamos para casa com as mãos vazias. Como vamos sustentar nossos filhos?”, questionou.

Outro pescador Stevan Pedra Monteiro, 23 lembra que o gelo e alimentação também são divididos. “Se o dono do barco pescar junto com a gente, as despesas são divididas entre os quatro”, disse, acrescentando que o investimento vai diminuir em muito as despesas que assumem toda a semana.

Atividade no município – Considerada uma das principais fontes de renda do município, a atividade pesqueira conta com cerca de 150 embarcações e quase 1 mil pescadores.

De acordo com a historiografia, nos anos 40 a pesca era realizada em alto-mar com batelões, que foram substituídos por embarcações movidas a gasolina e depois a óleo diesel, os conhecidos botes ou lanchas, além de canoas a vela, que em meados de 60 foram transformadas em bateras motorizadas, que ainda são empregadas pelos que vivem da atividade na região.

A Colônia de Pescadores Z-2, fundada em 1934 por Benedito Marques, tem em média 1 mil associados. A entidade atende os pescadores com cursos de qualificação profissional, auxílio na concessão de benefícios sociais, assessoria para seguro-desemprego (defeso), aposentadoria e pensão garantidos pela legislação, além de ser responsável pelo encaminhamento de pedidos de emissão de carteira profissional.

Fonte: Secom – SJB