Um levantamento exclusivo feito pelo RJ2, AQUI, e exibido ontem (3) indica que, dos maiores salários da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), pelo menos sete são pagos mensalmente a servidores que mal aparecem para trabalhar. Um dos denunciados foi o Ricardo Dauaire, conhecido como Cacá, tio do deputado Bruno Dauaire.
Alguns ganham até mais que deputados e moram a muitos quilômetros do Palácio Tiradentes, que fica no Centro do Rio. Como mostrou o RJ2, tem até servidor que vive em outro país, nos Estados Unidos.
Em quase três meses de apuração, o telejornal tentou encontrar esses servidores na Alerj. Foram várias visitas e centenas de telefonemas. Mas nenhum deles foi encontrado.
As equipes de reportagem, então, foram atrás desses servidores e percorreram mais de 1,2 mil quilômetros, passando por várias cidades do estado.
Em Campos dos Goytacazes, no Norte do estado, a 280 quilômetros da Alerj, mora outro funcionário da Assembleia de sobrenome conhecido no mundo político. Mais um servidor difícil de encontrar nos corredores do Palácio Tiradentes.
Apesar de receber como especialista legislativo, Ricardo Dauaire, conhecido como Cacá, costuma bater ponto no estacionamento administrado por ele no Centro de Campos dos Goytacazes. Em outra garagem da família, um funcionário explicou que é fácil encontrar Cacá em um dos dois estacionamentos em Campos.
No prédio onde ele mora, o RJ conseguiu falar com Cacá pelo interfone. Mas ele se recusou a descer pra dar entrevista. A equipe também procurou Ricardo Dauaire também no restaurante da esposa dele – mas ele não estava.
Ricardo Dauaire é tio do deputado Bruno Dauaire, líder do PSC, o partido do governador Wilson Witzel, na Assembleia. Mas ele não faz parte da equipe do gabinete do sobrinho, e sim, da de Rosenverg Reis, o líder do MDB.
O homem recebeu, em outubro, quase R$ 19 mil líquidos e não apareceu na Alerj.
Alerj nega irregularidades
Mesmo com todas as denúncias mostradas na reportagem, a Alerj negou que os funcionários das comissões não trabalhem na Casa.
No entanto, a Assembleia afirmou que os casos específicos mostrados na reportagem são de responsabilidade dos deputados, pois eles atestam a frequência dos funcionários de seus gabinetes.
A Assembleia informou, ainda, que os dois servidores têm salários determinados por legislação específica, compatíveis com o tempo de serviço.
A Alerj ressaltou que, se for comprovado o não exercício da função dentro das normas estabelecidas pela administração da Alerj, os servidores vão responder a processos administrativos, podendo ser exonerados e devolver salários.
Fonte: G1










