Foto: Divulgação

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Os últimos momentos da vida de Jesus Cristo e a ressurreição, conforme relatos bíblicos, são relembrados nesta semana (considerada santa para os católicos) com intensidade em São João da Barra. As ações litúrgicas na igreja matriz de São João Batista remontam tradições seculares do catolicismo. Nas ruas, as celebrações se assemelham às manifestações religiosas de cidades históricas de Minas Gerais e do interior de Goiás, o que fomenta o turismo religioso. Os ritos têm início hoje, com a celebração do Domingo de Ramos, que retrata a entrada de Jesus em Jerusalém, e segue até a Páscoa, com a procissão da Ressurreição, passando pelas procissões do Fogaréu, do Encontro, e do Senhor Morto e o Auto da Paixão de Cristo.

Na terça, as ruas de São João da Barra estarão às escuras, a partir das 20h, quando será realizada a Procissão do Fogaréu, saindo da Igreja de São Pedro e percorrendo as igrejas de São Benedito, São João Batista e Boa Morte. A celebração é um resgate cultural que a Irmandade do Santíssimo Sacramento, responsável pelas atividades em parceria com a Paróquia São João Batista, retomou em 2013, após ser interrompida em 1879.

Participam da Procissão do Fogaréu, cerca de 70 homens encapuzados, no cortejo ao som dos tambores e iluminado por tochas. Um dos responsáveis pelo resgate da celebração é Jorge Renato Amaral, um dos diretores da Irmandade, que explica a simbologia. “A Procissão do Fogaréu representa a perseguição e prisão de Jesus Cristo. A comunidade católica de São João da Barra participa ativamente dessas atividades, que, além da religiosidade, também representam a cultura do nosso povo”, disse.

Na quarta-feira, é realizada a Procissão do Encontro. Dois cortejos saem às 19h: o do Senhor dos Passos, acompanhado por homens, sai da matriz; as mulheres saem da igreja da Boa Morte, com a imagem de Nossa Senhora das Dores. Em determinado momento, as procissões se encontram na igreja de São João Batista. Na tradição católica, representa o encontro de Maria com seu filho Jesus a caminho do calvário.

As celebrações da quinta-feira acontecem apenas na matriz, com a cerimônia do “lava pés”, às 18h30, em alusão à última ceia de Cristo antes da crucificação. Na sexta-feira da Paixão, o rito litúrgico é celebrado às 15h, horário em que segundo relatos bíblicos Jesus morreu. À noite, às 18h, é realizada a procissão do Senhor morto. O cortejo leva uma imagem de Jesus morto, seguido da imagem de Nossa Senhora das Dores. Na Semana Santa, as matracas substituem os sinos e vêm à frente do cortejo, anunciando a sua passagem pelas principais ruas da sede do município. Nos cruzamentos e em frente às igrejas da cidade, meninas entoam o cântico de Verônica, e apresentam uma representação do rosto de Jesus no Santo Sudário. O sábado é marcado pela celebração da vigília pascal, um dos ritos mais tradicionais e importantes do catolicismo. No domingo, às 6h, a matriz encerra as atividades da Semana Santa com a procissão da Ressurreição. Além da programação da igreja, é apresentado o “Auto da Paixão”.

Além da Paróquia e da Irmandade, a Educação e Cultura e o Turismo, Esporte e Lazer são as secretarias municipais que dão suporte às atividades realizadas nas celebrações na sede do município.

História de Cristo retratada em peça teatral

A tradição é mantida todos os anos em São João da Barra. Na primeira sexta-feira após a lua cheia do outono, quando os católicos relembram o julgamento, paixão, crucificação e morte de Jesus Cristo, a sexta-feira santa, acontece a encenação do Auto da Paixão de Cristo, logo depois da procissão do Senhor Morto, no ginásio de Esportes. O “espetáculo de fé” já acontece na cidade há cerca de 30 anos.

A encenação envolve cerca de 200 pessoas. Reuniões, ensaios, criação de figurinos e cenário são etapas a serem cumpridas no período de preparação. Segundo Luiz Fabiano Machado, um dos responsáveis pelo espetáculo, quase todo mundo já conhece a história que é apresentada. Porém, a emoção do público é tamanha, que é como se fosse contada pela primeira vez.

— A peça conta a história de Jesus Cristo. Seu nascimento, os ensinamentos do cristianismo, os milagres, o calvário até os últimos momentos antes da crucificação e os primeiros após a ressurreição — explicou.

Todos os envolvidos na realização do espetáculo são do município. A equipe conta com atores, figurantes, cenógrafos, figurinistas, coreógrafos, bailarinos, contrarregras, costureiras, bordadeiras, lavadeiras, passadeiras, pessoal de apoio e diretores.

Fonte: Secom-SJB