Após a prisão na manhã desta quarta-feira, 31, no Rio de Janeiro, do primeiro acusado de matar a tiros Wagner Pereira Gonçalves durante o carnaval, na praça de São João Batista, no Centro de São João da Barra, no último dia 4 de março, a delegada Madeleine Farias realizou uma coletiva para a imprensa e explicou a conclusão da investigação.
Escutas telefônicas, análises de câmeras de segurança e, principalmente, uma prisão realizada por policiais da 145ª Delegacia de Polícia (SJB) em Campos, no Jóquei Clube, no mês de junho, possibilitaram desvendar o crime, que teve origem em 2015, quando Wagner teria fornecido à Polícia Militar o local onde foram apreendidos cerca de R$ 2 milhões em drogas, especialmente ecstasy, além de armas, em uma casa na rua Visconde do Itaboraí, no Parque Rosário. Na ocasião, foram presos os dois jovens de classe alta Caio Vieira Pires de Morais, 28, e Celso Ricardo Maciel da Silva Filho, 29, apontados como os mandantes do homicídio no Carnaval sanjoanense.
Após a investigação ter dado como encerrada, Madeleine apontou como executores do crime outros dois jovens, também ligados à venda de drogas sintéticas em rodas sociais e boates: Fernando Quintanilha Moreira, 29 anos, e Michel Ribeiro Paes, 25. Michel foi preso em junho passado, em um hotel de luxo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com grande quantidade de cocaína. Os outros três estão foragidos: Fernando teria fugido para a Região dos Lagos e Celso, para o Espírito Santo. A polícia ainda desconhece o paradeiro de Caio.
Madeleine disse, ainda, que morte de Wagner foi planejada, discutida e executada, após conflitos internos que vinham ocorrendo desde 2015 e que se agravaram duas semanas antes do crime.
“O assassinato ocorreu em frente ao coreto da praça da Matriz, atrás da arquibancada que fica em frente ao camarote das autoridades municipais, durante o desfile da escola de samba Chinês na avenida. Michel e Fernando foram identificados a partir das vestimentas que usavam. Fantasiados, eles seguiram armados ao encontro de Wagner. Michel, que efetuou cinco disparos, acertou Wagner com três tiros pelas costas. Ele morreu no local. Em um dos disparos, a bala ricocheteou e atingiu um folião de raspão, no abdômen. Com informações de testemunhas sobre a vestimenta dos suspeitos, os policiais identificaram, nas imagens das câmeras, os rostos dos criminosos”, disse.
Rivalidade — As origens do homicídio foram rastreadas até uma grande apreensão em 2015, que foi delatada à Polícia Militar por Wagner. No local indicado, foram apreendidas armas e uma grande quantidade de ecstasy, equivalente a R$ 2 milhões, que, segundo a Polícia Civil, pertenciam a Caio, conhecido como “Rei do Ecstasy”, Celso e Fernando “Rodela”, que não foi preso na época. Com a prisão de Caio e Celso, Wagner se tornou o principal fornecedor da região. Em 2017, quando foram soltos, houve um acerto de contas entre Caio e Wagner. Inicialmente, Celso teria preferido manter distância de Wagner, por conta da traição, até que os contatos foram retomados, por intermédio de Michel.
— Já havia essa rivalidade entre eles. Entretanto, quando Caio e Celso saíram da prisão, eles retomaram o convívio, justamente para a prática de tráfico de drogas. Houve uma compensação de dívidas pelo material apreendido em 2015. Wagner pagou uma parte com um apartamento e um carro. Caio e Wagner voltaram a se falar. Nesse intervalo, Celso ficou um pouco afastado do grupo e Michel assumiu o lugar dele. O Michel, que devia cerca de R$ 30 mil a Wagner, dinheiro usado para alavancar a venda de drogas, tentou a aproximação também de Celso com a vítima e, com negócios em jogo, resolveram retomar as negociações, duas semanas antes do Carnaval, e essa negociação deveria ocorrer no Cepop, aqui em Campos — contou Madeleine.
De acordo com uma testemunha que pertencia ao círculo dos traficantes e que teria sido presa em junho passado, no Jóquei, uma reunião foi marcada duas semanas antes do crime no Cepop, para que esquematizassem os pontos de venda durante o Carnaval. Mas a negociação deu errado e deu início à desavença entre os “traficantes de luxo”.
De acordo com uma testemunha que pertencia ao círculo dos traficantes e que teria sido presa em junho passado, no Jóquei, uma reunião foi marcada duas semanas antes do crime no Cepop, para que esquematizassem os pontos de venda durante o Carnaval. Mas a negociação deu errado e deu início à desavença entre os “traficantes de luxo”.
A delegada, que deu por encerrada a investigação da morte de Wagner, destacou a importância da elucidação do crime, que colocou em risco foliões no Carnaval sanjoanense. “Foi tudo premeditado, porque os executores contavam com a multidão, o uso de fantasias — inclusive o Fernando estava com a máscara do Pânico nas costas — para evitar que fossem reconhecidos, com o som alto para disfarçar o barulho dos tiros, mas foi uma ação muito ousada, já que sabiam sobre o reforço das forças de segurança no Carnaval de São João da Barra”, concluiu a delegada.
Fonte: Folha da Manhã
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