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Foto: Michelle Richa – Folha da Manhã

A Polícia Civil prendeu na manhã desta quinta-feira, 31, Carlos André das Dores, 40 anos, que, segundo os policiais, confessou ter estuprado uma adolescente de 17 anos, aluna do Instituto Federal Fluminense (IFF), em Campos, no último dia 23 de março. Uma policial civil que trabalha no caso saía do plantão por volta das 10h30, quando viu o homem, que usava as mesmas roupas vistas nas imagens das câmeras de segurança no dia do estupro e com as mesmas características, nas proximidades do Mercado Municipal. Ela ligou para outros policiais civis, que foram até o local e detiveram Carlos André. De acordo com a titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Ana Paula Carvalho, o homem responderá por estupro e roubo, já que também teria levado o celular da vítima. O suspeito foi localizado no momento em que a delegada concedia entrevista coletiva sobre o caso. Na delegacia, a estudante, bastante emocionada, reconheceu o suspeito. Com a prisão, estudantes do IFF chegaram a fazer nova manifestação contra a violência.

— Ele é o homem que aparece nas imagens no dia do estupro e já está indiciado. Vamos esperar a vítima chegar para formalizar o reconhecimento e depois vou pedir a prisão dele — disse Ana Paula logo após o suspeito ser detido, lembrando que o celular da vítima não foi achado.

A policial civil Luciana Manhães, que encontrou o homem no Mercado, ressaltou que a equipe trabalha nas investigações de forma intensa desde o dia do crime. “Já esgotada, eu acabava de sair da delegacia depois da semana inteira olhando intensamente as imagens e procurando pelo autor do estupro junto com a equipe. Já eram quatro dias em diligência, de madrugada, manhã, tarde e noite. A gente procurou por tudo. Eu estou em férias, mas estou esses quatro dias na delegacia envolvida nesse caso, junto com outros inspetores, sendo que há até gente de folga trabalhando nas investigações. Então, eu estava saindo de serviço e passei próximo ao Mercado Municipal, por volta das 10h30, quando o vi em um bar. Eu já estava olhando as imagens a semana inteira, então, o reconheci na hora. Não tinha a menor dúvida que era ele”, disse.

Ainda de acordo com Luciana, ela e os outros policiais civis contaram com ajuda da Polícia Militar. “No momento da abordagem, o homem disse que não sabia o que estava acontecendo, se fazendo de desentendido. Também não estava com arma nenhuma e nenhum pertence além das roupas. Ele não esboçou nenhuma reação, foi rendido e levado para a delegacia”, relatou.

Ana Paula também falou sobre as investigações. “Todos os esforços foram tomados desde que a gente tomou conhecimento do crime. A gente conseguiu encontrar esse homem graças ao apoio de diversas pessoas, que nos abriram casas, forneceram imagens, de técnicos que trabalham para melhorar as imagens. A gente refez o trajeto do autor do crime, até que chegamos a uma câmera com melhor qualidade. Quando chegamos nessas imagens, foi possível ver detalhadamente quem era o autor”, concluiu.

Segundo a Polícia Civil, o homem ainda estava detido na Deam até o fechamento da edição, e deve ser encaminhado nos próximos dias para o presídio. A vítima esteve na delegacia para fazer o reconhecimento formal do suspeito e chorou muito. De acordo com a polícia, o homem teria confessado o crime. Ele ainda teria abordado outras meninas, “sem maior gravidade”, que ao perceberem a aproximação dele, corriam.

Aluna foi agarrada a caminho da escola

A adolescente de 17 anos foi estuprada nas proximidades do Instituto Federal Fluminense (IFF), no Parque Dom Bosco, no início da manhã do último dia 23. Segundo a PM, a vítima estava a caminho da instituição, quando, ao passar pela avenida 28 de Março, por volta das 7h, foi agarrada por um homem e levada para dentro de uma residência em obras na rua João Sobral Bittencourt, onde foi violentada. A falta de segurança foi alvo de uma manifestação no mesmo dia, em frente ao local onde a adolescente foi estuprada. De acordo com a PM, o homem ainda levou o celular da adolescente.

Segundo a delegada Ana Paula Carvalho, o autor do estupro simulava estar armado para abordar mulheres. “O modo de ele agir era o seguinte: ele se aproximava e pedia informação, que foi a mesma coisa que ele fez com a vítima estudante do IFF. No mesmo dia do crime, o suspeito chegou a tentar abordar pelo menos outras duas mulheres, pois isso foi flagrado pelas câmeras. Ele chegou pedindo informação, mas elas perceberam que ele era suspeito e saíram. No momento da abordagem, ele simulou estar armado”, disse.

Delegada pede contato de outras vítimas — A delegada apontou que há possibilidade de o autor ter estuprado outras mulheres. “Pedimos que vítimas de crimes como esse compareçam à Deam caso reconheçam o suspeito. O contato é 99613-8769 ou 2738-1309 e o sigilo é absoluto”.

Nova manifestação foi realizada após prisão

Cerca de 60 alunos do IFF fizeram um novo ato contra violência à mulher. Com cartazes e palavras de ordem, os manifestantes saíram de frente da delegacia do Centro, em passeata, e seguiram pela avenida Pelinca. Essa foi a segunda manifestação depois do caso de estupro.

Na noite do último dia 23, alunos e professores do IFF realizaram uma manifestação pedindo mais segurança e para chamar a atenção para a violência à mulher. Eles saíram de frente da instituição e seguiram até a casa onde o crime ocorreu, em seguida, retornaram à instituição.

Na ocasião, o diretor do Campus Centro do IFF, Jefferson Azevedo, também participou do ato, em solidariedade aos estudantes e servidores, que ficaram indignados com o ato “tão bárbaro de violência” em torno da instituição de ensino.

Câmeras da Prefeitura não teriam ajudado

A delegada da Deam, Ana Paula Carvalho, afirmou que as câmeras de monitoramento da Prefeitura de Campos não ajudaram nas investigações. “As câmeras de monitoramento da cidade não estão gravando. O que disseram para a gente foi que a Prefeitura supostamente não estaria pagando a empresa responsável pela gravação e o dispositivo não está funcionando. As câmeras filmam, mas as imagens não armazenam”, disse.

Essa não é a primeira vez que câmeras de segurança da Prefeitura não podem ajudar na investigação de um crime. Em 2014, a morte do aluno do IFF Deison Wallace Peres da Hora, 18 anos, vítima de latrocínio (roubo seguido de morte) em frente ao IFF, levantou dúvida sobre a função dessas câmeras. Isso porque um equipamento do município, que estava próximo ao local do crime, não filmou a ação dos bandidos, segundo a delegada adjunta da 134ª DP (Centro) Natália Patrão. A delegada só pode contar com imagens de um comércio próximo, mas que não ajudaram na identificação da dupla.

Em dezembro de 2013, um advogado foi morto na avenida 28 de Março, à luz do dia. Ao solicitar as imagens de câmeras de monitoramento municipais próximas ao local do crime, o delegado da 134ª DP, Geraldo Rangel, foi informado de que as câmeras não registraram o crime, pois o equipamento teria sofrido pane dias antes.

Em janeiro do mesmo ano, uma banca de jornal, no Centro, foi arrombada por duas vezes em 15 dias. O equipamento que poderia identificar a ação não registrou a ação dos bandidos.

Fonte: Folha da Manhã