Débora Rosa
Psicóloga – Psicanalista, Mestranda em Psicanálise Clínica.
Setembro é reconhecido mundialmente como o mês de conscientização sobre a prevenção do suicídio, problema de saúde pública apontado pela Organização das Nações Unidas como uma das principais causas de morte no planeta. Abordar o tema de forma clara e sem preconceitos é fundamental para salvar vidas.
Diversos fatores podem aumentar o risco de suicídio: depressão, isolamento social, abuso de substâncias, sofrimento profissional, perdas afetivas ou de emprego, entre outros transtornos mentais. No entanto, especialistas lembram que a ideação suicida é multifatorial e jamais deve ser atribuída a um único motivo. Sentimentos de abandono, desamparo ou negligência — sejam eles emocionais, financeiros ou sociais — podem desencadear pensamentos de autodestruição, mas a prevenção é possível quando a sociedade assume o compromisso de acolher e apoiar sem julgamentos.
Cada pessoa pode se tornar parte dessa rede de cuidado. O primeiro passo é romper o tabu que ainda envolve o suicídio, mesmo em pleno século XXI. Conhecer os recursos disponíveis faz diferença: a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) oferece suporte por meio de ambulatórios de saúde mental, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), hospitais e profissionais especializados, como psicólogos e psiquiatras.
Para atendimento imediato e sigiloso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) presta apoio 24 horas pelo telefone 188, gratuitamente.
Atenção a sinais de alerta também é essencial. Frases como “quero sumir”, “não aguento mais viver” ou “é inútil tentar mudar” podem indicar risco e exigem escuta cuidadosa. Nesses casos, recomenda-se:
•Criar um ambiente calmo e seguro para a conversa.
•Ouvir sem críticas ou interrupções.
•Incentivar a busca por ajuda profissional e oferecer-se para acompanhar a pessoa.
•Não deixá-la sozinha em situações de risco e afastar objetos que possam ser usados para autoagressão.
O suicídio não faz distinção de idade, gênero, orientação sexual, etnia ou condição social. Todos estamos sujeitos a momentos de sofrimento profundo, e é justamente por isso que a conscientização coletiva é indispensável.
Empatia e compaixão podem ser determinantes. Ao nos colocarmos no lugar do outro, entendemos melhor sua dor e podemos oferecer esperança. Falar sobre suicídio é, acima de tudo, reafirmar que a vida tem valor e que ninguém precisa enfrentar a dor sozinho.
Se você ou alguém próximo precisa de ajuda, ligue 188 ou procure um serviço de saúde mental. Sua vida importa.
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