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Essa é uma pergunta sem resposta para a população e que ainda não é de conhecimento, sequer, da equipe de transição da prefeita eleita Carla Machado (PP). Ela nomeou seu grupo desde 18 de outubro, mas ainda não teve sinalização do prefeito Neco (PMDB) sobre quem fará a transição pelo lado do atual governo, tampouco teve uma data agendada para a primeira reunião. Carla salienta que foi a primeira eleita da região a encaminhar à Prefeitura os nomes da equipe de transição e solicitar informações. Sem resposta até hoje, está disposta a acionar o Poder Judiciário para ter acesso às informações.
— Me reuni essa semana com os membros da nossa equipe de transição e aguardaremos até a próxima semana. Caso não haja boa vontade do prefeito, nos restará buscar na Justiça esse direito. Iniciaremos nosso governo no período de alta temporada, com um aumento da população na ordem de 300% devido aos veranistas, problemas sérios na área de saúde, meio ambiente, transporte, infraestrutura urbana e com grande endividamento da máquina administrativa. Precisamos ter conhecimento real dos fatos para que possamos nos planejar melhor, evitando com isso o aumento do caos instalado em nosso município através dessa gestão irresponsável e incompetente — disparou Carla.
Presidente da comissão de transição, Alexandre Magno diz ter receio de chegar ao dia da posse sem a real noção do que foi classificado por ele como uma “caixa-preta”. “A Prefeitura não dá sinal de vida. Como a gente entra com tudo nebuloso desse jeito, se ninguém sabe de nada? Vai esperar a gente entrar dia 1º de janeiro para abrir a ‘caixa-preta’ e ver o tamanho do desastre? Não tem condição”, comentou.
Se o valor da dívida é uma incógnita, a certeza de que ela existe está no cotidiano da população. Neco decretou no dia 20 de maio estado de emergência econômico-financeira. Dentre as medidas, foram demitidos todos os terceirizados. Esses, até hoje, não receberam seus salários, que já estavam atrasados há três meses. As empresas alegam que não fizeram o pagamento porque não receberam do município e que usaram suas reservas para manter a folha em dia até onde puderam. As negociações estão em andamento e algumas pessoas tiveram, ao menos, direito aos benefícios assegurados por lei após a demissão.
Na Saúde, mais uma prova que o débito é alto. A Santa Casa fechou as portas após esperar por mais de 14 meses que a administração municipal fizesse o repasse de um convênio firmado entre as instituições. Neste caso, segundo a provedoria da Santa Casa, a dívida é superior a R$ 4 milhões. Até o Centro de Emergência chegou a fechar as portas por alguns momentos, em protesto dos trabalhadores que reclamavam devido aos salários atrasados.
E não para por aí. Os servidores efetivos questionam a suspensão do cartão alimentação. Durante a campanha, o grupo de Neco chegou a dizer que teria recurso para o retorno do benefício, mas esperava um posicionamento da Justiça para não incorrer em crime. Passada a eleição, não houve retorno. Os universitários tiveram redução das bolsas para 30% do valor da mensalidade (os bacharelandos em Medicina e Odontologia tinham subsídio integral). Ainda assim, é constante a reclamação de atraso. Até os músicos que se apresentaram no início do ano, com a promessa de logo receber pelas apresentações, ainda não tiveram os cachês quitados.
Desde que perdeu a eleição, Neco não fez nenhuma declaração à imprensa. Na sexta (4), a Folha tentou contato com ele, por telefone, mas não obteve êxito.
Confiante, mas sem esconder preocupação
Para a prefeita eleita de São João da Barra, as notícias não oficiais acerca das dívidas com prestadores de serviço, fornecedores, caixa previdenciário, direitos trabalhistas, concessionárias, entre outros, não são animadoras. “Além das dívidas, o município se encontra irregular junto ao Órgão de Controle da União. Há comentário que além da desordem administrativa, vamos receber o município com salários e 13º dos servidores sem pagar e um passivo que corresponde a 2/3 da provável arrecadação de 2017”, afirmou Carla.
Enquanto não tem início a transição, Carla assegura que vai trabalhando em busca de parcerias. “Conseguimos de emendas diretas junto a parlamentares R$ 4,1 milhões e estamos iniciando algumas parcerias para viabilizarmos uma programação de verão simples e criativa, já que o Turismo é uma vocação importante do município”.
Apesar de mostrar preocupação com o cenário que encontrará, a prefeita eleita se mostra confiante no trabalho a ser realizado no município. “Além de 73% da população que acredita na nossa seriedade para trabalhar, contamos com a maioria de 2/3 dos vereadores nesse grande desafio que será reconstruir a nossa terra. São João da Barra vai voltar a sorrir, esse é o nosso compromisso!”.
Harmonia entre eles durou pouco tempo
Neco e Carla eram aliados em 2012, tendo a então prefeita participação efetiva na campanha do atual gestor do município. Mas o clima de harmonia não durou muito tempo, já no início de 2013 as rusgas começaram a aparecer. Ainda assim, em junho daquele ano, Neco condecorou Carla com a “Medalha Barão de São João da Barra”, maior honraria do Executivo, para tentar manter uma aparente tranquilidade. Isso durou até outubro, quando o racha foi oficializado.
A partir daí, uma constante reclamação de Neco foi pelo fato de não ter conseguido ter feito a transição da gestão de Carla para a dele. “Eu não tive o direito de ter a transição de governo. Não estava sabendo o que estava acontecendo na Prefeitura. Acreditava que estaria organizado realmente. Quando assumi, eram pilhas e mais pilhas de processos só com a nota fiscal dentro e paga. Ficamos mais de seis meses tentando organizar e também para não deixar problemas perante o Tribunal de Contas para ex-gestora”, disse o prefeito em entrevista à Folha em setembro.
Oficialmente, não há posicionamento. Mas nos bastidores, existem rumores que o próprio prefeito quer participar da equipe de transição.
Mudanças a menos de dois meses do fim
Sem se pronunciar sobre a transição, o prefeito Neco, a menos de dois meses para o fim da sua gestão, segue fazendo mudanças no seu estafe administrativo. As mais recentes mudanças foram publicadas no Diário Oficial de desse domingo (5).
O ex-secretário de Saúde Klaus Lisboa Tavares volta para o governo, mas dessa vez como Coordenador Geral de Assistência Social (símbolo CCE-1). Na secretaria de Administração, foi exonerada a subsecretária Lais Pessanha de Souza (CCE-1), que no mesmo dia foi nomeada como subsecretária (CCE-1) de Educação.
Ainda na Administração, Felipe Miranda e Silva deixou a coordenadoria geral de Licitações e Contratos (CCE-1) para assumir a subsecretaria. Na mesma pasta, Edmar Jonas Serra Junior, que tinha Função Gratificada de Gestor Administrativo (FGE), foi destituído para assumir como coordenadoria geral de Licitações e Contratos (CCE-1). O mesmo Diário Oficial traz a destituição de Cristiano Inácio da Silva da Função Gratificada de Inspetor da Guarda (FGE).
Fonte: Folha da Manhã







