Filha utilizou redes sociais para divulgar o ocorrido. Caso envolve a paciente Patrícia da Silva Lopes e os médicos André Luiz Neto Fontoura (endocrinologista) e o ortopedista André do Vale Teves

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Foto: Divulgação

Indignação, raiva e dor. Estes são os sentimentos de Patrícia da Silva Lopes e de sua família, moradores da localidade do Carrapicho, em Atafona, segundo distrito de São João da Barra. Ela afirma que foi enganada pelo endocrinologista André Luiz Neto Fontoura (um dos nomes cogitados para vice de Carla Machado) que prometeu uma cirurgia em seu pulso que teve osso quebrado num acidente no último dia do ano passado, mas teve apenas engessamento no local.

A paciente procurou o Centro de Emergência de São João da Barra após o incidente, 31/12, e foi encaminhada para o ortopedista de plantão que requisitou uma radiografia que apontou para necessidade cirúrgica. Quatro dias depois, Patrícia marcou consulta na Policlínica com Dr. Jamil, ortopedista, que confirmou necessidade de cirurgia no local, mas que poderia demorar. Segundo a secretária municipal de Saúde, Denise Esteves, naquele momento os convênios ainda estavam sendo renovados, além de uma reformulação financeira.

Utilizando as redes sociais em busca de ajuda, Patrícia postou um vídeo explicando seu caso. Neste momento surge André Fontoura, como ela narra detalhadamente:

“Ele disse que se comoveu com meu caso e que iria me ajudar, conseguindo a cirurgia para mim. Naquele momento ele deixou um monte de remédios. Foram ligações constantes até que ele me avisou que no dia 20 de janeiro eu iria operar e deveria ficar em jejum desde às 18 horas do dia anterior”.

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Foto: Divulgação

O Hospital São José do Avaí, em Itaperuna, foi o local indicado por Fontoura para a cirurgia, mas a paciente revelou um ato ilícito nos procedimentos. “Ele colocou meu endereço como seu eu fosse moradora de Cardoso Moreira, lembro até o nome da rua: Raul Chateau Filho”, frisa, acrescentando que foi desconfiando do rumo tomado, principalmente quando questionou se iria realizar uma cirurgia sem exames. André Fontoura, segundo ela, disse: “Não precisa destes exames, aparentemente você está bem e o médico é excelente”, referindo-se a André do Vale Teves, responsável pela suposta cirurgia e que prescreveu apenas novalgina como medicamento pós-cirúrgico (em anexo).

Mesmo sem exames, anestesiaram/sedaram a paciente que informou que já teve dois infartos. A redação do Quotidiano explicando o caso a diversos médicos, todos foram unânimes em dizer que se isso aconteceu foi um ato de extrema irresponsabilidade, podendo levar a paciente a óbito. Ao acordar, Patrícia conta que estava terminando o engessamento, mas reclamava de muita dor, quando Teves informou que era normal.

De volta a casa, recebeu a visita de André Fontoura e o questionou: “Ele deu ponto? Estranho que não sinto”. Segundo Patrícia, o médico riu e disparou: “Cirurgia ortopédica é totalmente diferente. Botou placa, pino e deu ponto sim”, aproveitando para tirar uma foto que foi postada em seu perfil no facebook onde publicou dentre outras coisas: “conseguimos a cirurgia ortopédica”.

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Foto: Divulgação

O caso toma outros contornos quando a paciente percebe seus dedos roxos e dormentes e resolve, no dia 27 de janeiro, retirar o gesso por conta própria e se apavorar quando observa que não havia um ponto sequer em seu pulso. Imediatamente procurou o Centro de Emergência para Raio X que revelou o pulso quebrado e ausência de placa e pinos. Ao contactar André Fontoura e contar o ocorrido, o endocrinologista queria encaminhá-la para o Hospital Ferreira Machado. “Não aceitei. Já não confiava mais nele. Disse que ele deveria consertar o erro que cometeu e pagar uma cirurgia particular. Ele parou de me atender”, relata Patrícia.

De acordo com Patrícia, ela sabia da ligação de Fontoura e Carla Machado, e intercedeu junto à ex-prefeita para tentar novo contato com André. “Queria que ele atendesse minhas ligações, mas ela resolveu ligar para doutor Yuri [ortopedista] e explicou minha situação. Ele disse que o caso era cirúrgico e ela rebateu dizendo que eu havia tirado o gesso. Foi aí que doutor afirmou que se eu não tivesse retirado o gesso teria perdido a mão”, acentua Patrícia, lembrando que Carla disse que conseguiria uma vaga no Rio, no HTO. “Eu me neguei a ir. Não é que quero escolher, mas por aqui faz esta cirurgia”, ressalta de forma receosa.

A paciente foi consultada nesta terça-feira, 02, pelo Dr. Jamil no Centro de Emergência de São João da Barra que confirmou: “Nada foi feito na mão dela. Continua do mesmo jeito de quando vi mês passado”. O ortopedista requisitou novos exames pré-operatórios e a cirurgia deve ser marcada em breve.

Denise Esteves disse que a oposição aproveitou a situação para fazer politicagem e que os convênios já estão sendo firmados para que Patrícia e outros na fila de espera possam realizar suas cirurgias.

Patrícia afirma que irá processar os dois médicos (André Fontoura e André Teves). O caso deve ter desdobramentos no Conselho Regional de Medicina (CRM), no Ministério Público Estadual (MPE) e na Câmara Municipal de São João da Barra.

Endocrinologista responde

O endocrinologista enviou à redação do Quotidiano um documento timbrado por André do Vale Teles que nitidamente inverte o depoimento da paciente. Um dos itens do documento diz que Patrícia tinha ciência de que não houve cirurgia (fato desmentido pelo próprio André Fontoura que postou estar feliz por ter ocorrido a cirurgia ortopédica) e também que a paciente ao retirar o gesso comprometeu o tratamento, assumindo os riscos (fato desmentido pelo ortopedista Yuri que, segundo Patrícia, falou em “viva voz” que sua decisão foi correta ao retirar o gesso). Termos técnicos do documento tentam, ainda, distorcer a terminologia ‘cirurgia’ como se o procedimento efetuado na paciente fosse um ato cirúrgico.

Fonte: Quotidiano

Anexos: Ortopedista prescreve apenas novalgina

Documento timbrado em nome de André do Vale Teves

Foto e postagem de André Fontoura com Patrícia